Memória que floresce: homenagem lembra um ano do acidente que vitimou sete estudantes da UFSM

Memória que floresce: homenagem lembra um ano do acidente que vitimou sete estudantes da UFSM

Fotos: Vinicius Becker (Diário)

Uma orquídea, um girassol, uma canna indica, um lírio e rosas nas cores amarelo, vermelho e rosa agora eternizam a memória de cada uma das sete vítimas fatais do acidente com o ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As flores compõem um memorial permanente construído na instituição. 

O espaço foi inaugurado durante uma cerimônia, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (1º), em homenagem aos alunos que perderam a vida em Imigrante, quando o veículo que levava estudantes saiu da pista e caiu em uma ribanceira. A tragédia completa um ano no sábado, dia 4 de abril.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

Para familiares e sobreviventes, o ato marca um momento de dor, mas também de união e continuidade. Presidente da Associação das Vítimas do Acidente em Imigrante (Avapi), Cristina Zanini destaca que a homenagem foi pensada em cada detalhe:

– Simboliza muito amor, muito carinho. É um momento muito doído, mas que precisa ser feito. Nós perdemos sete colegas. Nunca mais as nossas vidas serão as mesmas.

Cristina é uma das sobreviventes que está a frente da Associação

Ela também lembra os efeitos deixados pela tragédia ao longo dos últimos meses. Cristina foi uma das sobreviventes e ainda se recupera de uma cirurgia na clavícula e do trauma.

– Foi um ano muito difícil. O emocional, o cognitivo e o físico ficaram comprometidos. É um dia de cada vez. As lembranças vêm, os pesadelos vêm. Foi um ano de superação e de luta – completa, ao destacar que a associação atua para garantir atendimento contínuo às vítimas e para evitar que acidentes semelhantes se repitam.


A cerimônia

O ato lotou o auditório do Colégio Politécnico, no campus da UFSM em Camobi. Muitos participantes vestiam camisetas azuis estampadas com as flores que simbolizam as vítimas. A cerimônia começou com um momento inter-religioso, conduzido por representantes de diferentes crenças. 

Em um dos instantes mais emocionantes, o padre Junior Lago convidou o público a colocar a mão no peito e fazer uma oração, cada um à sua maneira. O gesto foi seguido por um Pai Nosso rezado de mãos dadas.

Após o rito, representantes da associação, autoridades do Colégio Politécnico e a reitora da UFSM, Martha Adaime, manifestaram-se. Para Martha, a inauguração do memorial tem um papel institucional e simbólico.

– É um momento difícil, dolorido, mas muito importante. Ele torna visível esse acontecimento na história da universidade, que não pode nunca ser apagado – disse a reitora.

Na sequência, a cerimônia seguiu até o memorial, instalado próximo ao auditório. O espaço é composto por um pergolado com kokedamas (bolas de musgo japonesas usadas como vasos). Ao lado, sete vasos representam cada uma das vítimas: Dilvani, Fátima, Flávia, Elizeth, Janaína, Marisete e Paulo Victor

Em poucos minutos, o local foi tomado por flores levadas por familiares e amigos, além de abraços e lágrimas.

Memorial foi construído no Colégio Politécnico, próximo ao auditório


“Tem que fazer justiça”

Nem mesmo o tempo diminuiu a presença de Paulo Victor Estefanói Antunes entre familiares e amigos. Ele tinha 27 anos quando o acidente aconteceu. Para os irmãos Pablo, 33 anos, e Aygor, 32, que participaram da cerimônia, o último ano foi marcado por dor, saudade e pela necessidade de seguir em frente.

– Sofrimento. Buscar força para ajudar as pessoas e manter a memória dele viva – resumiu Pablo sobre os 12 meses após o acidente.

Pablo (à esq.) e Aygor relembram os últimos meses desde o acidente

Apesar de reconhecer a importância da homenagem, ele cobra mudanças concretas:

Acho importante isso aqui, mas só coisas bonitas não me servem. Eu acho que precisa fazer coisas para que não aconteça de novo com as pessoas, principalmente os jovens.

Ao lado do irmão, Aygor destaca que o período foi de apoio mútuo dentro da família.

– Esse último ano foi mais de apoio. Para os meus pais e meus filhos, que eram bem grudados com ele. Também foi de entrar ajudar meus pais, que moravam com ele. A gente tenta superar e ficar juntos – relatou.

Família de Paulo Victor acompanhou, com emoção, a cerimônia de homenagem


Quem foram as vítimas fatais

  • Dilvani Hoch, de 55 anos – Natural de São Pedro do Sul, Dilvani ingressou em 2025 no curso. Amigos e familiares a descrevem como uma mulher com sonho, apaixonada por plantas e aberta aos recomeços. No ano passado, veio morar em Santa Maria para se dedicar ao paisagismo e ficar mais perto da filha mais nova, de 20 anos, que cursa Agronomia na UFSM. Ela também deixou um filho de 27 anos.
  • Elizeth Fauth Vargas, de 71 anos – Elizeth ingressou em 2025 no Colégio Politécnico. Sempre interessada por plantas, especialmente orquídeas, estava entusiasmada em cursar Paisagismo, conforme relato da família. Ela deixou duas filhas.
  • Fátima Copatti, de 69 anos – Mãe, apaixonada por animais e fã de um bom baile gaúcho. É dessa forma que amigos descrevem Fátima, caloura do curso de Paisagismo na UFSM. Ela deixou quatro filhos.
  • Flavia Marcuzzo Dotto, de 44 anos – Flávia é descrita pela família e amigos como uma mulher cheia de vida e querida por todas. Natural de São João do Polêsine, era gerente de uma das agências do Banrisul de Santa Maria e ingressou no curso técnico de Paisagismo do Colégio Politécnico em março do ano passado.
  • Janaina Finkler, de 21 anos – Natural de Estrela Velha, Jana, como era chamada, era fã de chimarrão e havia ingressado no curso em março de 2025. Era a mais nova entre as vítimas fatais.
  • Marisete Maurer, de 54 anos – Natural de São Pedro do Sul, é descrita como uma pessoa ímpar e um porto seguro para a família. Era a mais nova de 10 irmãos. Deixou o esposo, duas filhas e um neto.
  • Paulo Victor Estefanói Antunes, de 27 anos – Nasceu em Santa Maria e foi criado na Vila Brenner. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Ulbra em 2024. Em março de 2025, ingressou no curso técnico de Paisagismo no Colégio Politécnico. Amigos e familiares lembram dele como um jovem estudioso e amoroso.
Páscoa intensifica trânsito nas rodovias da região; RSC-287 deve receber 116 mil veículos Anterior

Páscoa intensifica trânsito nas rodovias da região; RSC-287 deve receber 116 mil veículos

Barragem do Jaguari é entregue, mas irrigação ainda depende de novas obras Próximo

Barragem do Jaguari é entregue, mas irrigação ainda depende de novas obras

Plantão
Logo tv diário
Logo rádio diário

AO VIVO

ASSISTA AGORA
MAIS BEI